
| | CONVERSÃO Inácio de Loiola nasce em 1491, numa família da nobreza basca onde é desde cedo iniciado na alegria e valentia deste povo. Aos 26 anos os seus sonhos de grandes conquistas militares e amorosas caem por terra, feridos de morte por uma bala de canhão que o deixa gravemente ferido e coxo para o resto da vida. Durante a sua longa convalescença entretém-se com os livros que lhe conseguiram arranjar: vidas de Jesus e dos santos. Tocado por estes relatos, experimenta uma alegria profunda e duradoura ao imaginar-se a seguir os seus passos, na radicalidade de uma vida entregue a Deus. Da frustração nascem assim novos sonhos e ideais maiores…
UMA PROFUNDA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL Sem outro projecto que o de imitar os santos, Inácio parte para os arredores de Barcelona, fixando-se na pequena localidade de Manresa, onde permanece retirado durante longos meses, num clima de austeridade, penitência e profunda oração. Durante este tempo sente-se conduzido por Deus numa segunda conversão. Aí descobre a proximidade de Deus, não apenas nas duras provas que impunha a si mesmo, mas sobretudo na oração, falando-Lhe como a um amigo. Nos movimentos do seu coração, alegria, tristeza, ânimo, encontra as respostas às suas inquietações e ajudas para discernir a vontade de Deus. Em Manresa descobriu ainda que Deus o chamava a ajudar os outros a encontrá-Lo, partilhando a sua experiência, que transpôs no seu pequeno livro de Exercícios Espirituais.
DA UNIVERSIDADE PARA O MUNDO Depois de uma viagem à Terra Santa, motivada pelo desejo de proximidade a Jesus, Inácio dá-se conta de que necessita de estudar para ajudar melhor aqueles que o procuram, sem deixar de manter o seu estilo de vida simples. Em Espanha e depois em Paris o peregrino, como ele se chama a si mesmo, prepara-se para o sacerdócio, ao mesmo tempo que junta à sua volta amigos e companheiros com o desejo de imitar a sua vida. Em 1539, este grupo de amigos no Senhor decide constituir-se como corpo, sob a autoridade de Inácio, e oferecer-se ao Papa para as missões que ele julgue prioritárias. Uns, como Francisco Xavier são enviados para o Oriente, outros, como Pedro Fabro, para dialogar com a Reforma protestante na Alemanha, enquanto Inácio permanece em Roma, conduzindo a Companhia de Jesus nascente no seu serviço à Igreja universal.
500 ANOS MAIS TARDE.. A inspiração de S. Inácio de Loiola permaneceu viva, muito além da sua morte em 1565, até aos nossos dias, através da Companhia de Jesus e de todos os que, sem serem jesuítas, partilham do desejo de Inácio de amar a Deus em todas as coisas, e todas as coisas em Deus. A espiritualidade inaciana, alicerçada sobre a experiência interior de Inácio, contida nos Exercícios Espirituais, procura encontrar a Deus em todas as realidades, criadas para ajudar o homem na sua busca de felicidade. A atenção à voz do Espírito que fala através dos acontecimentos do mundo e da vida interior de cada um permite encontrar o caminho de realização que Deus sonha para cada homem e mulher. A oração constitui assim uma aprendizagem de liberdade interior, alimentada pelo desejo de um crescimento contínuo e de uma adesão cada vez maior a Jesus Cristo. É a este “mais” que S. Inácio nos convida através do seu lema: para a maior glória de Deus! (Ad Maiorem Dei Gloriam) |