Aprende-se incessantemente a rezar, como a amar

Respirar. Dia e noite, inspiramos e expiramos, sem nos darmos conta disso, apesar de a nossa vida depender da nossa respiração. Todas as vezes que caímos doentes e temos problemas respiratórios, experimentamos como a nossa vida depende desse sopro. Também existe uma respiração profunda, dificilmente percetível e, no entanto, essencial: a do nosso coração. Esta respiração simples e natural, como é o amor, põe-nos em relação com «Aquele que está na fonte da vida», do Universo visível e invisível. Aquele que ama está naturalmente em comunicação com Ele.

Mas amar verdadeiramente, como fazemos disso a experiência nas nossas vidas, é muito difícil, requer de nós mudança, a fim de nos despojarmos em favor do outro. Também o nosso coração, por vezes, respira com dificuldade. Rezar favorece a respiração do nosso coração, une-nos Àquele que está na fonte da vida, que Se revelou em Jesus Cristo, e amplifica em nós a capacidade de amar. Rezar é amar. É abrir o nosso coração a um Outro. É por isso que rezar é tão essencial.

«De madrugada, ainda escuro, Jesus levantou-Se e saiu. Foi para um lugar solitário e ali Se pôs em oração» (Mc 1, 35). Jesus de Nazaré, na Galileia, era um homem profundamente unido «Àquele que está na fonte da vida», o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, Deus a quem Ele chamava seu Pai, e um homem dócil ao Espírito Santo. A sua comunhão com o Pai era tal que toda a sua vida, a sua maneira de ser era marcada por ela, e que grande número de pessoas desejava segui-Lo e viver como Ele.

Qual era o seu segredo? É certo: após a sua Ressurreição de entre os mortos, os seus discípulos reconheceram-No como Filho de Deus, vindo do próprio Deus, Emanuel, «Deus connosco». Contudo, aqueles que O seguiam, os seus discípulos mais próximos, já tinham percebido que a sua maneira de ser e de amar encontrava a fonte na sua relação com o Pai, naqueles longos tempos de oração na solidão, de madrugada, muito cedo, quando ainda era noite escura, ou à tardinha, após uma missão (Lc 6, 12). Um dia, pediram-Lhe que desse a conhecer este segredo: «Senhor, ensina-nos a rezar!»

Muitos livros foram escritos sobre este assunto, mas a experiência da oração só pode ser comunicada por contágio. Foi contemplando Jesus que os discípulos desejaram rezar como Ele. No entanto, apesar de a oração ser simples e natural para quem permanece no amor, por vezes é difícil encontrar o caminho para ela. Também é um facto que, desde que Jesus aconselhou os seus discípulos, ensinando-lhes o «Pai-Nosso», matriz de toda a oração, homens e mulheres um pouco mais avançados nesta via ajudaram os que desejavam iniciar-se nela. Aprende-se incessantemente a rezar, como a amar.

Frédéric Fornos, b. a. - ba da oração, Editorial AO 2016