Linguagem da ternura em destaque nas Jornadas de Comunicação

A linguagem da ternura esteve em destaque nas Jornadas de Comunicação, que começaram ontem em Fátima e que decorrem até ao final do dia de hoje. Neste dois dias, participantes de todo o país, incluindo jornalistas, sacerdotes, consultores de comunicação, gestores de conteúdos e assessores de imprensa, estão a partilhar ideias sobre o impacto da imagem e a importância de a Igreja continuar marcar presença no meio digital, utilizando os meios mais procurados pelos utilizadores das redes sociais e recorrendo, eventualmente, aos influenciadores para chegar a novos públicos.

Na conferência de abertura, Monsenhor Lucio Adrian Ruiz, secretário do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, salientou a importância da ternura como canal de comunicação na sociedade atual, em que, apesar de as pessoas estarem presentes na rede, acabam por se encontrar de certa forma sozinhas.

“A ternura não é um conceito lamechas, mas é uma virtude dos fortes, porque implica baixar-se ao nível do outro. Exige uma atitude humilde e simples”. “A ternura é solidariedade, é ver as pessoas, é escutar os outros, é ser movido pelas pessoas, é o caminho de Jesus”.

A ternura é uma linguagem dirigida aos mais pequenos, àqueles que não têm nada, afirmou, apontando o exemplo de Jesus, que desceu ao nível daqueles a quem queria dirigir a sua mensagem, falando a sua língua e utilizando os seus gestos.

O secretário do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé falou sobre a ternura como linguagem do Papa Francisco e, a partir do exemplo do Santo Padre, salientou a importância do olhar, da carícia, do abraço, do colo, do beijo. É importante “inclinar-se para chegar, deixar-se alcançar, partilhar, encontrar-se”.

Marcar presença no Instagram

“O Instagram é caótico” e é, ao mesmo tempo, um meio no qual se deve ser genuíno, entende Paulo Salgado, da Universidade do Minho.

Falando sobre estratégias e práticas no Instagram, o docente afirmou que comunicar com emoção e humor, explorando momentos de diversão, sem produções elaboradas, dá mais visibilidade aos conteúdos, que terão de ser sempre relevantes para a organização e para os seguidores.

Aos comunicadores, responsáveis pela gestão da APP, exige-se uma rotina diária de monitorização, planeamento e publicação que conduz à captação de novos públicos e à manutenção do volume de seguidores.

O Instagram esteve em destaque no primeiro dia das Jornadas, com os responsáveis dos projetos Juvenil 2.0, Laboratório da Fé e Missão País a apresentaram a sua experiência e deixarem algumas sugestões práticas, como fazer publicações pensando no público que se pretende atingir, publicar posts que envolvam perguntas, usar uma linguagem próxima, procurando evangelizar, apostar na qualidade das imagens e pedir ajuda aos mais jovens.

 

Comunicar um evento, um produto, uma pessoa

Ana Baleizão, da L’Oreál, disse que a responsabilidade das marcas nas redes sociais passa por “ajudar e contribuir para uma sociedade melhor” e não apenas vender um produto.

A especialista em Relações Públicas e Marketing de Influência falou na necessidade de se “trazer para a Igreja” as novas formas de comunicação. É importante a Igreja encontrar os canais, as plataformas certas e as pessoas certas para gerar conversação. É preciso descobrir o que na Igreja pode gerar conversação e criar notícia”.

Fábio Lopes – “Conguito” falou sobre a sua experiência enquanto youtuber e locutor de rádio, e disse que enquanto tal procura mostrar que as coisas são possíveis.

O locutor da Mega Hits destacou a importância da colaboração entre pessoas e marcas e disse que “é importante partilhar alegria porque há muita alegria no mundo”.

Falando sobre a organização do Rock in Rio, a responsabilidade social associada ao evento e a logística associada à organização, Ricardo Florêncio abordou o papel dos influenciadores e disse que os seus conteúdos têm de ser autênticos, bem pensados e bem usados.