Papa quer reflexão interna sobre o modo de agir da Igreja

O Santo Padre, na nova edição de O Vídeo do Papa, enfatiza a necessidade de a Igreja crescer no discernimento espiritual. O Papa Francisco não oferece receitas, mas convida a discernir as situações pessoais e comunitárias, a pôr-se à escuta do Senhor.

«Rezemos juntos para que toda a Igreja reconheça a urgência da formação no discernimento espiritual, no plano pessoal e comunitário», afirma Francisco no vídeo, realizado pela Rede Mundial de Oração do Papa. «Discernir, entre todas as vozes, qual é a voz do Senhor, qual é a voz d'Ele que nos conduz à Ressurreição, à Vida, e a voz que nos livra de cair na “cultura da morte”», acrescenta.

Em setembro de 2017, num curso de formação para novos bispos, o Papa já tinha introduzido a sua preocupação pelo tema e feito um claro chamamento aos participantes: «Discernir com humildade e obediência com o povo e para o povo de Deus». Segundo o Papa, «discernir significa humildade e obediência. Humildade em relação aos próprios projetos. Obediência relativamente ao Evangelho, critério último; ao Magistério, que o preserva; às normas da Igreja universal, que o servem; e à situação concreta das pessoas, para as quais se quer simplesmente sorver do tesouro da Igreja quanto há de mais fecundo para a sua salvação».

«O tempo no qual vivemos exige-nos desenvolver uma profunda capacidade para discernir», afirma Francisco no vídeo. Por isso, «precisamos de “ler a partir de dentro” o que o Senhor nos pede, para viver no amor e ser continuadores desta sua missão de amor».

O padre Frédéric Fornos, sj, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa e do Movimento Eucarístico Juvenil sustenta que «o discernimento espiritual é a bússola que nos permite reconhecer a ação do Espírito Santo na nossa vida, nas nossas comunidades e no mundo. Hoje como ontem, Deus continua a atuar e acompanhar a sua Igreja, mas muitas vezes não reconhecemos a sua voz».

«A formação para o discernimento, como disse Francisco, é urgente pois ajuda-nos a escutar, a reconhecer e ser dóceis ao Espírito do Senhor nos grandes desafios do mundo e da missão da Igreja. Sem o discernimento espiritual e pastoral estamos cegos», acrescenta o responsável.