Passo-a-Rezar assinala Dia Mundial dos Pobres

O Passo-a-Rezar, em parceria com a Província Portuguesa da Companhia de Jesus, assinala o primeiro Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco, que se celebra a 19 de novembro. A proposta de oração deste dia, escrita pelos sacerdotes jesuítas José Maria Brito e Luís Providência, conta com as vozes de Isabel Jonet e Johnson Semedo, duas pessoas ligadas ao trabalho social em prol dos mais desfavorecidos.

Ao promover uma proposta de oração centrada na celebração deste dia, o Passo-a-Rezar e os Jesuítas em Portugal pretendem chamar a atenção para a importância de, enquanto cristãos, não esquecermos os mais frágeis da sociedade, promovendo a oração em sintonia com esta preocupação do Santo Padre.

Na linha das ideias expressas pelo Papa na Mensagem para este Dia Mundial, todos somos «chamados a abraçar os pobres para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão». A mão dos pobres, «estendida para nós, é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma». 

Isabel Jonet, natural de Lisboa, iniciou em 1993 a atividade como voluntária no Banco Alimentar Contra a Fome. É a Presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares, da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome e do Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa. Em 2004 fundou a  “Entrajuda”, que visa dotar instituições de solidariedade social com instrumentos e recursos de gestão e de organização capazes de aumentar a eficiência dos seus meios e a eficácia dos seus resultados.

Johnson Semedo, natural de São Tomé e Príncipe, veio para Portugal na altura da Revolução e viveu nas ruas de Lisboa a partir dos dez anos. Criado no bairro da Cova da Moura, teve um percurso de vida entre a toxicodependência, a criminalidade e vários estabelecimentos prisionais. Procurou ajuda de uma comunidade terapêutica e a sua vida começou a ter um rumo diferente, tendo casado e constituído família. Nos últimos anos tem trabalhado com jovens, aplicando a sua experiência pessoal na prevenção de situações de risco. Dinamiza e treina uma equipa de futsal, dirigindo uma Academia com o seu nome.

Para Isabel Jonet, celebrar este Dia é «quase como um toque a rebate nas nossas vidas, onde o consumo passou a tirar o valor real de cada bem em si mesmo quando muitos dos nossos irmãos se encontram deles privados». Assinalar a data é uma forma de chamar a atenção para «um fenómeno que existe hoje como sempre existiu» e tem atualmente «consequências tão gravosas como tinha anteriormente». Mas «a vida e o frenesim em que vivemos, por vezes, fazem-nos passar ao lado» e levam-nos, até, a «deixarmos de olhar com o olhar da verdadeira caridade, que é amor para aqueles que precisam de nós».

A responsável do Banco Alimentar entende que, ao declarar um Dia Mundial dos Pobres, o Papa Francisco quer que os cristãos reflitam sobre a pobreza e se unam, «porque haver pessoas que se sentem pobres, empobrece-nos a nós e a toda a sociedade».

Johnson Semedo entende que a pobreza – que pode abranger outras vertentes além do não ter o que comer – «acontece porque houve algo na vida de alguém que fez com que essa pessoa pudesse ficar pobre». Celebrar este Dia «faz com que as pessoas possam pôr a mão na consciência e perceber que o próximo depende de muitas vezes de nós. Acho que é um momento muito positivo», conclui.