Terça-feira da vigésima terceira semana do Tempo Comum

Hoje é dia onze de setembro, terça-feira da vigésima terceira semana do Tempo Comum.

A oração é um tempo propício
ao reconhecimento de uma presença e de uma vocação
que transportamos em nós.
Na difícil arte do discernimento
e da escuta dos sinais e dos irmãos,
essa atenção vai-se progressivamente purificando
na renovação da nossa mente.
Abre espaço, no teu coração, à escuta e à atenção,
e começa assim a tua oração.

Escuta esta passagem da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios. [L1 1Cor 6, 1-11]

Quando algum de vós tem uma questão com outro,
como ousais levá-la para ser julgada pelos pagãos e não pelo povo santo?
Não sabeis que havemos de julgar o mundo?
E se é por vós que o mundo será julgado,
seríeis indignos de julgar questões de menor importância?
Não sabeis que havemos de julgar os anjos?
Quanto mais os assuntos desta vida!
No entanto, quando tendes estas queixas,
escolheis como juízes aqueles que não têm autoridade na Igreja.
Para vossa vergonha o digo.
Não há então no meio de vós um único homem sábio,
para poder julgar entre os seus irmãos?
Mas como é que um irmão entra em litígio com o seu irmão
e isto diante dos infiéis?
De qualquer modo, já é para vós humilhação bastante
que tenhais questões uns com os outros.
Não seria melhor sofrer uma injustiça e permitir ser defraudado?
Mas sois vós que praticais a injustiça e defraudais os outros,
e isto com os vossos irmãos!
Não sabeis que os injustos
não receberão como herança o reino de Deus?
Não tenhais ilusões: nem os imorais, nem os idólatras,
nem os adúlteros, nem os depravados, nem os pervertidos,
nem os ladrões, nem os avarentos, nem os ébrios,
nem os caluniadores, nem os salteadores
receberão como herança o reino de Deus.
E assim eram alguns de vós.
Mas fostes purificados, fostes santificados, fostes justificados
em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus. 

Nos seus escritos, São Josemaria Escrivá de Balaguer previne, com realismo: «Chocas com o caráter deste ou daquele... Se o teu caráter e o caráter dos que convivem contigo fossem adocicados e moles como gelatina, não te santificarias». 
Deves, no entanto, evitar esses choques. Escuta Paulo: «é já para vós humilhação bastante que tenhais questões uns com os outros. Não seria melhor sofrer uma injustiça e permitir ser defraudado?». 

É quase inevitável que alguma vez te envolvas em mal-entendidos e pontos de discórdia e devas recorrer a tribunais para resolver questões de justiça. Serão momentos para recordares que deves agir como um filho de Deus em relação com outros filhos de Deus.

São Paulo queixa-se: «sois vós que praticais a injustiça e defraudais os outros». A justiça (cumprir a palavra dada, pagar o que é justo, ser pontual nos pagamentos e nos compromissos, devolver o que devemos) é condição prévia da caridade. Seria falso o amor que desprezasse a justiça. 

Pede ao Espírito Santo que te ajude a descobrir o que deves mudar na tua vida para seres filho mais digno do Pai do Céu. Podes também recorrer ao sacramento da reconciliação para dares passos seguros no caminho da conversão. 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.