Terça-feira da décima terceira semana do Tempo Comum

Hoje é dia três de julho, terça-feira, festa litúrgica de São Tomé, Apóstolo.

O Divino revela-Se ferido,
sem outro rosto, outra palavra, outro corpo
que o Humano.
Tomé é o Apóstolo chamado Dídimo,
termo grego que significa gémeo, nascido do mesmo parto:
é o nosso irmão gémeo, em tudo semelhante a nós,
que com dificuldade reconhecemos o mistério de Deus
na humanidade ferida e ressuscitada de Jesus.
Acolhe na tua oração tudo o que de humano povoa a tua vida;
e escuta o convite do Senhor a tocar as suas feridas,
as tuas feridas, as feridas dos teus irmãos.

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São João. [Ev Jo 20, 24-29]

Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu-lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou-Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu-Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!».
Disse-lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto». 

Hoje és convidado a olhar para São Tomé. Toma consciência de como a sua dúvida tem lugar e não é ignorada. Jesus vem ao seu encontro, ao lugar da sua incredulidade, e toca-o, porque Se deixa tocar nas suas feridas, sinal da sua entrega. É nesse espaço, onde nada é ignorado, que a fé ganha o seu verdadeiro sentido e fulgor. 

Não te julgues indigno do amor de Deus. Jesus, se O acolheres, vem ao teu encontro, ao teu lugar, para aí te resgatar. Não há espaços onde não venha, nem realidades onde não queira estar e tocar profundamente. Não há impossíveis. 
Será que tens anunciado esta boa-nova aos que te rodeiam? Será que a tens presente nas tarefas diárias que realizas? 

Ao escutares de novo a passagem da aparição de Jesus Ressuscitado a Tomé e aos discípulos, recolhe a vitalidade da mensagem que o texto encerra e que te é dirigida, a ti que acreditas sem teres visto. 

Termina a tua oração confiando ao Senhor todas as mulheres e homens que não têm fé, que se sentem sozinhos e perdidos no meio das tribulações da vida. Confia também ao Senhor todos aqueles que, em nome de alguma fé ou credo, escolhem fazer o mal, semeando o terror e o medo. Confia ainda ao Senhor todos aqueles que são vítimas deste mal que teima em habitar o mundo, para que possam encontrar na sua fé a paz que os salva. 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.