Quarta-feira da oitava da Páscoa

Hoje é dia vinte e quatro de abril, quarta-feira da oitava da Páscoa.

A oração leva-te a lugares sempre novos e, tantas vezes, desconhecidos... Só precisas de deixar-te levar, de confiar na Mão que te guia e, tantas vezes, te segura, quando já te sentes a cair em algum buraco do caminho. Deixa-te levar durante os próximos minutos... sem te interrogares sobre o caminho ou o ponto de chegada. Deixa que o Senhor trate desses pormenores. Quanto a ti, confia e entrega-te... e começa assim a tua oração.

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Lucas. [Ev Lc 24, 13-35]

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. Mas eles convenceram-No a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-No. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Jesus não desiste de ninguém, mesmo daqueles que, sentindo-se tristes e derrotados, têm a tentação de voltar costas a Jerusalém e “voltar para casa". Com toda a paciência e sabedoria, o Ressuscitado mete-Se nas suas conversas e pensamentos e ensina a entender as Escrituras. Pensa no que te acontece quando te deixas enrolar nos teus medos, nas tuas conveniências e interpretações mundanas…

Vê como só acordas para a vida e entendes e descobres a presença do Ressuscitado quando sais de ti, convidas os pobres e peregrinos e repartes o pão com eles.

Escuta de novo o Evangelho e repara na parte final do texto: voltaram a correr a Jerusalém, cheios de alegria, com o coração a arder, a anunciar a Boa Nova.

O que fazes quando cais nos medos e na desolação? O que deves passar a fazer? Agradece o ensinamento dos peregrinos de Emaús.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.