Quarta-feira, terceiro dia do Tempo do Natal

Hoje é dia dezanove de dezembro, quarta-feira, terceiro dia da novena do Natal.

“Vinde libertar-nos, não tardeis mais”. É o grito que se eleva do coração do povo fiel, saturado de injustiças e desgraças. Um grito que não admite dúvidas, pois o Senhor cumprirá as suas promessas. Mas também um grito de quem atingiu o limite, bebeu o cálice até ao fim e, agora, deixa tudo nas mãos de Deus.
Neste terceiro dia da novena do Natal, acompanha a meditação de Dom Nuno Almeida, ao encontro de João Batista, que não é a Luz, mas anuncia o Sol nascente... e começa assim a tua oração.

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Lucas. [Ev Lc 1, 5-26]

Nos dias de Herodes, rei da Judeia,
vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias,
cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. (...).
Não tinham filhos, porque Isabel era estéril
e os dois eram de idade avançada.
Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus,
no turno da sua classe,
coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal,
entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. (...).
Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso.
Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor.
Mas o Anjo disse-lhe:
«Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida.
Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João.
Será para ti motivo de grande alegria
e muitos hão de alegrar-se com o seu nascimento,
porque será grande aos olhos do Senhor.
Não beberá vinho nem bebida alcoólica;
será cheio do Espírito Santo desde o seio materno
e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.
Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias,
para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos
e os rebeldes à sabedoria dos justos,
a fim de preparar um povo para o Senhor». (...).
Ao terminarem os seus dias de serviço,
Zacarias voltou para casa.
Algum tempo depois, Isabel, sua esposa, concebeu
e permaneceu oculta durante cinco meses, dizendo:
«Assim procedeu o Senhor para comigo
nos dias em que Se dignou livrar-me desta desonra diante dos homens».

João, o Batista, será a voz! A Voz daquele que clama no deserto: preparai os caminhos do Senhor!

Ele não será a Palavra, ele não será a Luz. Ele será simplesmente uma voz de fogo, que corta a eito, como quem rasga caminhos novos, para o encontro com Aquele que há de vir!

João não é o Messias. Não é o Salvador! Nem o salvador da Pátria, nem o salvador do mundo! Vai simplesmente adiante de quem lhe está à frente!
João, de corpo queimado pelo sol do deserto, de alma inflamada pelo desejo do Reino, é o anunciador.

É de testemunhas que o mundo precisa!... De testemunhas que «viram a Luz do Salvador» e a querem irradiar na escuridão.
Que falta nos faz João Batista. Ele sim... «Trazia consigo a antiga novidade, era profeta no deserto e tinha falas de água pura e de verdade»!

Senhor, exiges de mim um esforço de purificação,
da memória e do coração.
Queres que mergulhe no íntimo do meu “eu”,
para que me reencontre e Te reencontre a Ti.
Estou pronto para fazer essa viagem
ao interior do meu coração.
Pronto a abrir portas e janelas,
a deixar entrar a tua voz desafiante.
Quero preparar a vinda do Messias, teu Filho Único.
Quero que Ele venha
para que possa ir a Ele!
Quero mergulhar na fonte do meu Batismo
e reatualizar, em cada dia, a minha conversão.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.