Quarta-feira da vigésima semana do Tempo Comum

Hoje é dia vinte e três de agosto, quarta-feira da vigésima semana do Tempo Comum.

A oração é uma janela de abertura ao Mistério;
por isso tem a fina espessura de uma janela
e a absoluta transparência de um vidro:
melhor contemplas a realidade do horizonte
quanto menor for a espessura e as marcas dessa janela.
Hoje, não te centres na oração,
nos seus efeitos e sensações,
mas abre-te ao sentido do mistério que te habita.
E começa a tua oração
com o apelo da escritora Gabriela Llansol:
«Gostaria que sobrevivesse a afirmação
que nós somos epifanias do mistério, 
e mistério que nos nossos balbuciamentos se desenrola». 

 

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Mateus. [Ev Mt 20, 1-16a]

Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário,
que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.
Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha.
Saiu a meia manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes:
‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’.
E eles foram.
Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo.
Saindo ao cair da tarde,
encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes:
‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’.
Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’.
Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’.
Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz:
‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário,
a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.
Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um.
Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais,
mas receberam também um denário cada um.
Depois de o terem recebido,
começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo:
‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós,
que suportámos o peso do dia e o calor’.
Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico.
Não foi um denário que ajustaste comigo?
Leva o que é teu e segue o teu caminho.
Eu quero dar a este último tanto como a ti.
Não me será permitido fazer o que quero do que é meu?
Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’.
Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos». 

 

Pontos de oração

Na parábola dos trabalhadores da vinha, facilmente nos tornamos solidários com quem trabalhou o dia todo. O seu desconforto por receber o mesmo salário que os outros também nos incomoda. Mas esta história não fala da lógica do mundo. A lógica de Jesus é a misericórdia, a inclusão e a partilha gratuita dos bens.

A personagem central da parábola é o proprietário da vinha. Vai recrutando trabalhadores ao longo do dia e distribui a todos segundo a sua generosidade. 
Deus está sempre a chamar-te e não desiste, mesmo quando te afastas d’Ele. Para Jesus, o que conta é dar-te a sua Graça. Como respondes ao seu chamamento? 

A preocupação do proprietário da vinha é que todos possam participar nos trabalhos. Ninguém deve ficar de fora.
Ouve novamente o Evangelho e reza por tantos que não têm quem os ajude.

 

Colóquio final

As palavras com que Jesus termina a parábola são provocadoras: «os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos». Quem se faz humilde como Jesus, tem como recompensa um amor maior. Pede ao Senhor a graça da humildade e da disponibilidade para ajudar quem mais precisa. 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.