Quarto domingo da Quaresma

Hoje, a Igreja celebra o quarto domingo da Quaresma. 

É de luz e de trevas que a nossa vida se forma,
de obras e de palavras, da ferida e da cura, 
de salvação e de condenação.
E, no meio do deserto, da travessia,
surge-nos uma Cruz, elevada,
um centro que nos atrai,
uma direção que nos guia.
Hoje é domingo, o primeiro dia da semana:
que o teu caminho quaresmal te oriente
no discernimento, na procura da luz e das obras,
no horizonte pascal.

 

Cantar as saudades do lugar santo, cantar as saudades da presença de Deus no meio do seu povo. Não deixar que a memória apague a certeza dessa presença. É este o grito carregado pelo salmo que vais ouvir. 

[Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6]
Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,
com saudades de Sião.
Nos salgueiros das suas margens,
dependurámos nossas harpas.

Aqueles que nos levaram cativos
queriam ouvir os nossos cânticos,
e os nossos opressores uma canção de alegria:
«Cantai-nos um cântico de Sião».

Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor
em terra estrangeira?
Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,
esquecida fique a minha mão direita.

Apegue-se-me a língua ao paladar,
se não me lembrar de ti,
se não fizer de Jerusalém
a maior das minhas alegrias. 

 

Entoámos a despedida, dependurámos as nossas harpas. Os nossos passos são medidos pela tristeza, mas não esquecemos Jerusalém, a casa do Senhor, fonte de toda a nossa alegria. 

O povo de Deus experimenta a deportação. Há um tom de lamento e de luto. 
Deixa que ecoe na tua oração o lamento de tantos desterrados deste mundo, de tantas pessoas forçadas a abandonar as suas casas, a despedirem-se de lugares santos. 

Jerusalém é cantada como cidade santa, alicerce da vida. 
Ao ouvires de novo o Salmo, deixa que este se faça pergunta: a que fundamentos da minha relação com Deus posso ainda regressar nesta Quaresma? 

A memória da cidade santa é também a constante evocação da ação fiel de Deus.
Recorda algum momento em que tenhas experimentado a fidelidade de Deus. Faz dessa lembrança abertura esperançada ao futuro. 

 

Pai nosso que estais nos céus
santificado seja o vosso nome
venha a nós o vosso Reino
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
e não nos deixeis cair em tentação
mas livrai-nos do mal.