Quinta-feira da quarta semana do Tempo Pascal

Hoje é dia vinte e seis de abril, quinta-feira da quarta semana do Tempo Pascal. 

O itinerário pascal é um caminho de reconhecimento,
de encontro com Aquele que caminha na nossa história.
Hoje, começa a tua oração
escutando estes versos do poeta Daniel Faria:
«Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava (...)
Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer».

 

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São João. [Ev Jo 13, 16-20]

Quando Jesus acabou de lavar os pés aos seus discípulos,
disse-lhes:
«Em verdade, em verdade vos digo:
O servo não é maior do que o seu senhor,
nem o enviado é maior do que aquele que o enviou.
Sabendo isto,
sereis felizes se o puserdes em prática.
Não falo de todos vós:
Eu conheço aqueles que escolhi;
mas tem de cumprir-se a Escritura, que diz:
‘Quem come do meu pão levantou contra Mim o calcanhar’.
Desde já vo-lo digo antes que aconteça,
para que, quando acontecer,
acrediteis que Eu Sou.
Em verdade, em verdade vos digo:
Quem recebe aquele que Eu enviar,
a Mim recebe;
e quem Me recebe a Mim,
recebe Aquele que Me enviou». 

 

A passagem do Evangelho de João fala do envio dos discípulos, formados na lógica revelada pelo gesto simbólico de lavar os pés. 
Tens consciência de que podes ser enviado por Jesus, atuando em seu nome e transmitindo a sua libertação? Toma nota desta responsabilidade amorosa. 

A postura apostólica permite-te declinar honras, prémios e vanglórias pelo eventual bem que praticas. É Jesus quem te envia e só a Ele deves querer glorificar. É Ele o Bom Pastor, é Ele o Salvador. Tu és instrumento da sua mensagem. Purifica, pois, a tua ação cristã. 

Antes de ouvires de novo esta passagem, nota que a colagem a Jesus não é um artifício moral. É um imperativo da liberdade. Se assim não fosse, se “fôssemos por nós”, o nosso rio desaguava na solidão e no deserto e não no “amor ligante” que a tudo dá sentido e que é o próprio Deus. 

 

No final desta tua oração, repete interiormente a prece: “seja por Ti, Jesus”. Prepara-te para viver com esta atitude livre de quem se oferece além de eventuais prémios e não atua centrado em si. 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.