Quinta-feira da vigésima quarta semana do tempo comum

Hoje é dia dezanove de setembro, quinta-feira da vigésima quarta semana do tempo comum.

A misericórdia do Senhor é eterna. O Senhor nunca deixa de Se debruçar sobre a tua miséria para te curar, para te salvar dos abismos de mal e de pecado onde estás constantemente a cair. Podes nem te aperceber desta presença, porque é discreta e humilde: a misericórdia não sabe ser de outro modo. Discreta e humilde, mas sempre disponível para acolher e perdoar. Agradece ao Senhor porque a sua misericórdia é eterna... E começa assim a tua oração.

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Lucas. [Ev Lc 7, 36-39.44-48.50]

Um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade – ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora». (…) Voltando-Se para a mulher, [Jesus] disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama». Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». (…) «A tua fé te salvou. Vai em paz».

Partilhar a mesa de alguém pressupõe uma certa intimidade entre anfitrião e hóspede. Simão denota sobranceria, como se estivesse a fazer um favor a Jesus. Simão limita-se a cumprir os mínimos. O seu convite fica-se pelo protocolo e proforma. Não é realmente genuíno. É a frieza que inicialmente domina a cena.

A mulher infiltrou-se na cena e quando se deu por ela já era facto consumado. Tinha tudo sido previsto com extremo rigor: ambiente asséptico, primando pela etiqueta, não fora aquela pecadora!… Mas ela vai suprir toda uma série de pormenores que haviam escapado a Simão e são condição para uma refeição que traduza verdadeira hospitalidade. A ternura com que esta mulher lava, beija e unge os pés de Jesus torturados pelos caminhos!…

Escuta de novo o Evangelho. A mulher sai reconciliada e renovada desta refeição em casa de Simão, graças à hospitalidade que Jesus encontrou nela. É caso para te perguntares quem acolheu quem e onde houve verdadeira comunhão.

Pede a graça de te aproximares do sacramento da reconciliação como encontro com o Senhor, cujo amor te purifica dos pecados, possibilitando-te uma vida nova, enxertada em Deus.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.