Quinta-feira, memória litúrgica de Santa Beatriz da Silva

Hoje é dia dezassete de agosto, quinta-feira, memória litúrgica de Santa Beatriz da Silva. 

Em pleno século treze,
um filósofo muçulmano originário da Andaluzia
pronunciou esta sentença:
«Aquele cuja enfermidade é o próprio Jesus
jamais se curará».
Hoje, começa a tua oração
com o eco desta frase,
e que a suave presença do Senhor
te conduza nos passos da tua vida:
«Aquele cuja enfermidade é o próprio Jesus
jamais se curará».

 

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Mateus. [Ev Mt 18, 21 – 19, 1] 

Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:
«Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe?
Até sete vezes?».
Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei
que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido,
com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo:
‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, 
o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários.
Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo:
‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender,
até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes
e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse:
‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos,
até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste,
se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».
Quando Jesus acabou de dizer estas palavras, partiu da Galileia
e foi para o território da Judeia, além do Jordão. 

 

Pontos de oração

Pedro foi ousado ao dizer o número sete, pois seria considerado um excesso perdoar desta forma. Mas Jesus é perentório ao superar esse excesso, inaugurando uma nova mentalidade. Deves perdoar sempre o teu irmão, pois é assim que o Senhor age contigo! Acolhe no íntimo do teu coração estas palavras de Jesus, enquanto te questionas sobre a forma como perdoas os que te rodeiam.

Como vives o sacramento da Reconciliação? É uma obrigação, uma necessidade ou uma oportunidade? Sais renovado pela graça do perdão ou continuas preso às tuas falhas e limitações, impedindo a graça de Deus de te curar verdadeiramente? Não desistas de te olhar com verdade e de entregar essa verdade ao Senhor através deste sacramento, mesmo que te provoque dor e sofrimento. Aí está, também, o teu caminho de salvação!

Como olhas para o servo que, tendo sido perdoado, não perdoa o seu irmão? Identificas-te com ele ou com os seus companheiros que se entristeceram?

 

Colóquio final

Pede ao Senhor a graça de viveres vendo cada vez mais a realidade à sua maneira e com o seu olhar, e não te esqueças deste pedido, pois tens de ir fazendo a tua parte! Dispõe-te e questiona-te, principalmente sobre tudo o que fazes de forma automática. 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.