Segunda-feira da vigésima segunda semana do Tempo Comum

Hoje é dia quatro de setembro, segunda-feira da vigésima segunda semana do Tempo Comum.

As palavras, escutadas e pronunciadas,
podem ser fugidias, insustentáveis na sua leveza.
Hoje, começa a tua oração
escutando o seguinte excerto do escritor Erri de Luca:
«As águas têm o seu curso, como as palavras: 
descem e grande parte se perde no mar e na terra. 
Jesus queria que as suas palavras fossem como águas correntes, 
ditas e pensadas para serem dispersas. 
E quem sabe quantas se terão perdido, 
escutadas e logo esquecidas. 
Não quis escrever nada:
Ele sabia que as palavras pronunciadas
valem mais do que as escritas, 
como a música escutada
vale mais do que a partitura que a fixa».

 

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Lucas. [Ev Lc 4, 16-23.28-30]

Jesus foi a Nazaré, onde Se tinha criado.
Segundo o seu costume,
entrou na sinagoga a um sábado
e levantou-Se para fazer a leitura.
Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro,
encontrou a passagem em que estava escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres.
Enviou-me a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos,
a restituir a liberdade aos oprimidos,
a proclamar o ano da graça do Senhor».
Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se.
Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga.
Começou então a dizer-lhes:
«Cumpriu-se hoje mesmo
esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Todos davam testemunho em seu favor
e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca.
E perguntavam: «Não é este o filho de José?».
Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado:
‘Médico, cura-te a ti mesmo’.
Faz também aqui na tua terra
o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum».
E acrescentou: «Em verdade vos digo:
Nenhum profeta é bem recebido na sua terra».
Ao ouvirem estas palavras,
todos ficaram furiosos na sinagoga.
Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade
e levaram-No até ao cimo da colina
sobre a qual a cidade estava edificada,
a fim de O precipitarem dali abaixo.
Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho. 

 

Pontos de oração

Às vezes, manipulamos o Evangelho, fazendo dele uma cadeia que prende. Mas Jesus é claro: a sua missão é libertadora, é caminho em direção aos esquecidos. 
Deixas que a escuta da palavra de Deus te liberte e envie ao encontro dos esquecidos? 

O medo de ser incomodado pode levar-te a procurar esconder os gritos de justiça. Mas nenhum abismo ou multidão erguida em muro pode parar a força do espírito que te é dado em Jesus. 

Jesus tem consciência das resistências que a sua mensagem pode trazer. Ao ouvir de novo o Evangelho repara como isso não condiciona a sua liberdade. 

 

Colóquio final

Ao terminar a oração, pede ao Senhor que renove em ti a presença do Espírito Santo. Pede-Lhe especialmente o dom da fortaleza. 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.