Segunda-feira, memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário

Hoje é dia sete de outubro, segunda-feira, memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário.

“A terra está cheia da bondade do Senhor”. É difícil aceitar o optimismo do salmista. Muitos até afirmam o contrário: com tanto mal no mundo, não é possível acreditar em Deus. “A terra está cheia da bondade do Senhor”. No fim, esta é a verdade que permanece. O mal, por mais poderoso que pareça, está destinado a desfazer-se no nada. Só a bondade tem consistência, porque só a bondade tem Deus na sua origem e só Deus permanece para sempre. Pede ao Senhor que abra os teus olhos para a bondade, de modo a não seres vencido pelo desespero. E começa assim a tua oração.

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Lucas. [Ev Lc 10, 25-37]

Um doutor da lei levantou-se e perguntou a Jesus, para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo».

Hoje celebramos a memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário. Esta celebração foi instituída pelo Papa Pio V, no século dezassete, para assinalar a vitória cristã na batalha de Lepanto contra os turcos que atacavam os barcos cristãos e impediam a sua passagem no Mediterrâneo. Hoje, vamos pedir pela paz, pelo compromisso das nações em respeitar as diferenças de credo e de cultura e não mais usar a violência. Hoje vamos pedir ajuda à Rainha da Paz.

Ouvimos a parábola do Bom Samaritano, ou seja, como nos devemos tratar e respeitar. Jesus alarga o horizonte do que é ser próximo dando um exemplo inesperado. É o agir de um “estrangeiro”, mal visto e desconsiderado pelos Judeus, que te revela toda a dimensão cristã do primeiro mandamento. Na prática, como é que isto te pode ensinar o que é o amor?

Ouve mais uma vez com atenção. E repara como o Samaritano é o retrato de Jesus. Ele vem de fora e não passa ao lado de nós, caídos e assaltados por tanto mal, tanta corrupção e violência. Levanta-nos, trata-nos, conduz-nos à estalagem (à Igreja) e paga por nós. Pensa: este gesto vale mais que mil palavras sobre o amor ao próximo.

Termina esta tua oração pedindo a graça de não desprezar ninguém e de seres capaz de te aproximar daqueles de que ninguém gosta ou que até são considerados descartáveis.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.