DOMINGO IV DO ADVENTO, sétimo dia do Tempo do Natal

Hoje é dia vinte e três de dezembro, quarto domingo do advento, sétimo dia da novena do Natal.

“Faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Esta é a palavra definitiva de Maria.
Podemos chamar-lhe a “palavra da encarnação”, cujas consequências moldam os séculos. Na simplicidade de uma aldeia perdida nos confins do Império romano, há dois mil e dezoito anos, a história da humanidade mudou radicalmente e o Verbo de Deus veio habitar no meio de nós. Definitivamente. Para sempre.
Medita, com Dom Nuno Almeida, Bispo auxiliar de Braga, como este “faça-se” se torna “pressa” e “visita” a Isabel e a cada um de nós. Pede a graça desta disponibilidade... e começa assim a tua oração.

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Lucas. [Ev Lc 1, 39-45]

Maria pôs-se a caminho
e dirigiu-se apressadamente para a montanha,
em direção a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
o menino exultou-lhe no seio.
Isabel ficou cheia do Espírito Santo
e exclamou em alta voz:
«Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado
que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua saudação,
o menino exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada aquela que acreditou
no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito
da parte do Senhor».

Junto a Maria, a alegria expande-se: o Filho que traz no seio é o Deus da alegria, do júbilo que contagia, que envolve. Maria abre de par em par as portas do coração e corre para Isabel.

«Feliz de realizar o seu desejo, delicada no seu dever, solícita na sua alegria, apressou-se a dirigir-se para a montanha. Onde, se não para os cimos, devia solicitamente tender aquela que já estava cheia de Deus?”

Maria dirige-se “apressadamente”, para levar ao mundo o feliz anúncio, transmitir a todos a alegria irreprimível que acolhe no seio: Jesus, o Senhor.
Apressadamente: não é apenas a velocidade com que Maria se move. Exprime a sua diligência, a atenção solícita com que enfrenta a viagem, o seu entusiasmo.
“Eis a serva do Senhor”. A serva do Senhor corre apressadamente, para se tornar serva dos seres humanos.

Imitam Maria todos aqueles que caminham apressadamente: na caridade de quem se move ao encontro daquele que é mais frágil; na esperança de quem sabe que será acompanhado neste seu andar; e na fé de quem tem um dom ou talento especial a partilhar.

“Eis a grande atração dos tempos modernos:
Penetrar na mais alta contemplação
E permanecer misturado com todos,
Lado a lado com os outros.
Queria dizer mais:
Perder-se na multidão,
Para a impregnar do divino,
Como um pedaço de pão
Se embebe no vinho.
Queria dizer mais:
Tornados participantes dos desígnios de Deus sobre a humanidade,
Desenhar sobre a multidão rendilhados de luz
E, ao mesmo tempo, partilhar com o próximo
A injúria, a fome, os ultrajes, as alegria breves.
Porque a atração do nosso tempo,
Como a de todos os tempos,
É o que de mais humano e mais divino se possa pensar,
Jesus e Maria:
O Verbo de Deus, filho de um carpinteiro;
A Sede da Sabedoria, dona de casa”.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.