Sexta-feira depois das cinzas

Hoje é dia oito de março, sexta-feira depois das cinzas.

Mais uma semana a chegar ao fim.
Certamente, uma semana cheia de trabalhos,
com muitas preocupações à mistura
e também com momentos de alegria e paz.
Apresenta ao Senhor tudo o que esta semana te trouxe,
de modo particular estes primeiros dias da quaresma.
Reconhece também as tuas fragilidades,
as vezes em que não correspondeste ao amor de Deus
e não foste capaz de amar aqueles que vivem contigo.
Entrega tudo ao Senhor e diz-Lhe:
“Senhor, tu és bom e indulgente.
Escuta a minha oração, atende a minha súplica”.
E começa assim a tua oração.

Escuta esta passagem do Livro do profeta Isaías. [L1 Is 58, 1-9a]

Eis o que diz o Senhor Deus:
«Clama em altos brados sem cessar,
ergue a tua voz como trombeta.
Faz ver ao meu povo as suas faltas e à casa de Jacob os seus pecados.
Todos os dias Me procuram e desejam conhecer os meus caminhos,
como se fosse um povo que pratica a justiça,
sem nunca ter abandonado a lei do seu Deus.
Pedem-Me sentenças justas,
querem que Deus esteja perto de si e exclamam:
‘De que nos serve jejuar, se não Vos importais com isso?
De que nos serve fazer penitência, se não prestais atenção?’
Porque nos dias de jejum correis para os vossos negócios
e oprimis todos os vossos servos.
Jejuais, sim, mas no meio de contendas e discussões
e dando punhadas sem piedade.
Não são jejuns como os que fazeis agora que farão ouvir no alto a vossa voz.
Será este o jejum que Me agrada no dia em que o homem se mortifica?
Curvar a cabeça como um junco,
deitar-se sobre saco e cinza:
é a isto que chamais jejum e dia agradável ao Senhor?
O jejum que Me agrada não será antes este:
quebrar as cadeias injustas, desatar os laços da servidão,
pôr em liberdade os oprimidos, destruir todos os jugos?
Não será repartir o teu pão com o faminto,
dar pousada aos pobres sem abrigo,
levar roupa aos que não têm que vestir e não voltar as costas ao teu semelhante?
Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar.
Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá;
se O invocares, dir-te-á: ‘Estou aqui’».

Quaresma é tempo de pôr os meios para crescer na fé. Todo o crescimento implica esforço, disciplina e dedicação. Nunca estamos parados na fé e, sem trabalho, retrocedemos.
Como estás na vida espiritual, na frequência da missa dominical, na oração diária, na partilha dos bens com os mais pobres?

O profeta Isaías centra o seu apelo à conversão no jejum. Jejuar é renunciar ao secundário para viver mais do essencial: é tornar o coração mais leve e transparente, parecido com o de Jesus. Jejum pode ser de alimento, de internet, de televisão, do individualismo ou da indiferença relativamente aos outros.
De que podes fazer jejum?

O jejum cristão não é um trabalho de purificação individualista. Deve ter sempre consequências para fora, para a comunidade, ao encontro de quem mais sofre e precisa de ajuda. Na repetição do Evangelho que agora vais escutar, pensa quem pode estar a precisar do teu cuidado.

Cada pessoa é um dom e em cada necessitado é preciso reconhecer o rosto de Cristo que diz «Estou aqui». As obras de misericórdia só acontecem quando se vive descentrado. Pede a Jesus a graça de um coração que se compadece das misérias do mundo.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.