Sexta-feira da terceira semana do Advento

Hoje é dia vinte e dois de dezembro, sexta-feira da terceira semana do Advento.

Estás a poucos dias de celebrar o Natal do Senhor.
A história encontra a lâmpada que a alumia,
o seu ponto único e central, a sua verdade mais profunda.
O Divino a encarnar no Humano, o abraço que não se rompe.
No final deste caminho de Advento, agradece ao Senhor
os modos simples e discretos nos quais Se fez presente nos teus dias,
ajudando-te a discernir os sinais de abertura, de novidade, de sentido.
E descobrirás que o final do caminho se converte em horizonte,
em céu estrelado, em manjedoura.
Começa assim a tua oração.  

 

Escuta esta passagem do Primeiro Livro de Samuel. [1 Sam 2, 1.4-8] 

Exulta o meu coração no Senhor,
no meu Deus se eleva a minha fronte.
Abre-se a minha boca contra os inimigos,
porque me alegro com a vossa salvação.

A arma dos fortes foi destruída
e os fracos foram revestidos de força.
Os que viviam na abundância andam em busca de pão
e os que tinham fome foram saciados.
A mulher estéril deu à luz muitos filhos
e a mãe fecunda deixou de conceber.

É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,
faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.
É o Senhor quem despoja e enriquece,
é o Senhor quem humilha e exalta.

Levanta do chão os que vivem prostrados,
retira da miséria os indigentes;
fá-los sentar entre os príncipes
e destina-lhes um lugar de honra. 

 

Ponto de oração

Como preparação para o nascimento de Jesus, tenta ver, por inspiração do cântico do livro de Samuel, quem são e onde estão ‘os nossos inimigos’, aquilo que te afasta do amor e, por isso, de Deus. Não vás muito longe, os grandes inimigos estão dentro de ti... 

A nossa vida, por mais companhia que tenhamos, tem sempre um centro de solidão. Todos temos lugares recatados nos nossos silêncios e em espaços quase sagrados, onde só entra Deus. 
Sabes estar só contigo e com Deus? Valorizas esses momentos e procura-los? Ou foges de ti próprio, para coisas e relações divergentes, que não são encontros?

Consciente de que os grandes obstáculos a Deus e ao amor estão dentro de ti e não fora, escuta de novo o cântico, retendo o que te faz crescer, mesmo que te inquiete. Nota um dos últimos versos, como apelo a levantares-te sempre, como sinal de ressurreição: “Levanta do chão os que vivem prostrados”. Repete este cântico dentro de ti, tomando-o como certeza. Não fiques prostrado…

 

Colóquio final

No final desta oração, pensa em pessoas à tua volta que andem prostradas, também porque não reconhecem o “Senhor que levanta”. Reza por elas e prepara-te para poderes ser instrumento de Deus, ajudando-as a levantarem-se.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.