Sexta-feira depois das Cinzas

Hoje é dia dezasseis de fevereiro, sexta-feira depois das Cinzas.

Hoje, no início da tua oração,
acolhe este convite expresso por João Crisóstomo,
em pleno século quarto:
«Não é só no momento determinado para rezar
que devemos elevar a Deus o nosso espírito;
também no meio das mais variadas tarefas,
como o cuidado dos pobres
ou as obras úteis de misericórdia,
é preciso conservar sempre viva a aspiração e memória de Deus.
Assim, todas as nossas obras, 
condimentadas com o sal do amor de Deus,
convertem-se em alimento agradável para o Senhor do Universo». 

 

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Mateus. [Ev Mt 9, 14-15] 

Os discípulos de João Batista
foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:
«Por que motivo nós e os fariseus jejuamos
e os teus discípulos não jejuam?»
Jesus respondeu-lhes:
«Podem os companheiros do esposo ficar de luto,
enquanto o esposo estiver com eles?
Dias virão em que o esposo lhes será tirado
e nessa altura hão de jejuar». 

 

Jesus tinha chamado Mateus, um cobrador de impostos, para o seguir como discípulo. Mais ainda, Jesus tinha-Se sentado à mesa em casa de Mateus, na companhia doutros publicanos e pecadores. É neste contexto que surgem os discípulos de João Batista reprovando esta conduta. 
Reconhece as vezes em que te consideras exemplar e olhas os outros de cima, considerando reprovável o seu comportamento. Procura pôr-te em causa. 

O jejum não é fim em si mesmo. O jejum poderá constituir um meio para te centrares no essencial. O que te deve mover é integrar o grupo dos “companheiros do noivo” – aqueles que têm uma relação familiar e íntima com Jesus. A estes não lhes falta nada. 

Escuta pela segunda vez o Evangelho. Há um único objetivo que vale a pena: integrar o grupo dos “companheiros do noivo”. Toda a disciplina deverá estar orientada ao Senhor. Despoja-te de tudo o que não te permite acolher Jesus na tua vida. Poderás ter que perder o que é precioso, para o recuperares com um encanto muito maior. 

Pede força ao Senhor para te absteres e privares de coisas materiais concretas, de maneira a que o teu coração se possa dilatar e ser mais solidário. 

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.