Sexta-Feira Santa

Hoje é dia vinte e cinco de Março, Sexta-Feira Santa.

Os discípulos de Jesus fugiram diante do sofrimento do mestre. Imagina que marcas profundas ficaram gravadas no coração de cada um deles. Imagina-os sozinhos neste dia em que Jesus é morto, assassinado... 
Como poderiam Eles reconhecer Deus num homem derrotado e tão cruelmente humilhado? 
Procura hoje, na tua oração, mergulhar na experiência de seres discípulo de um mestre como Ele, que por amor entrega a sua vida e está ali, pendurado na cruz.
São as palavras do Papa Francisco que te vão ajudar a rezar esta sexta-feira Santa. Assim, acompanhado pelas suas palavras, reza esta sexta-feira santa.

 

Na liturgia da Sexta-Feira Santa meditamos sobre o mistério da morte de Cristo e adoramos a Cruz. Nos últimos momentos de vida, antes de entregar o espírito ao Pai, Jesus disse: «Tudo está consumado». Ao escutares a narração da Paixão e Morte de Jesus, és convidado a entrar na obra da salvação, no pleno cumprimento do amor de Cristo, Cordeiro imolado.

Texto bíblico

Jesus saiu com os seus discípulos
para o outro lado da torrente do Cedron.
Havia lá um jardim, onde Ele entrou com os seus discípulos.
Judas, que O ia entregar, conhecia também o local,
porque Jesus Se reunira lá muitas vezes com os discípulos.
Tomando consigo uma companhia de soldados
e alguns guardas,
enviados pelos príncipes dos sacerdotes e pelos fariseus,
Judas chegou ali, com archotes, lanternas e armas.
Sabendo Jesus tudo o que Lhe ia acontecer,
adiantou-Se e perguntou-lhes:
«A quem buscais?».
Eles responderam-Lhe:
«A Jesus, o Nazareno».
Jesus disse-lhes: «Sou Eu».
Então, a companhia de soldados,
o oficial e os guardas dos judeus
apoderaram-se de Jesus e manietaram-n’O.
Levaram-n’O primeiro a Anás,
por ser sogro de Caifás,
que era o sumo sacerdote nesse ano.
Caifás é que tinha dado o seguinte conselho aos judeus:
«Convém que morra um só homem pelo povo».
Entretanto, Simão Pedro seguia Jesus com outro discípulo.
Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote
e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote,
enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora.
Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus
acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.
Então Anás mandou Jesus manietado
ao sumo sacerdote Caifás.
Depois, levaram Jesus da residência de Caifás ao pretório.
Era de manhã cedo.

No Horto das Oliveiras, Jesus não opõe resistência, mas entrega-se. No momento da traição de Judas, Jesus tem um preço. Este gesto dramático marca o início da Paixão de Cristo, um percurso doloroso que Ele escolhe com liberdade absoluta. Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício como um destino fatal; Ele não esconde a sua profunda perturbação diante da morte violenta, mas entrega-se ao Pai com plena confiança, para demonstrar o seu amor por nós. 

Pilatos disse-lhes:
«Eis o homem».
Quando viram Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os guardas gritaram:
«Crucifica-O! Crucifica-O!».
Disse-lhes Pilatos:
«Tomai-O vós mesmos e crucificai-O,
que eu não encontro n’Ele culpa alguma».
Responderam-lhe os judeus:
«Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer,
porque Se fez Filho de Deus».
Quando Pilatos ouviu estas palavras, ficou assustado.
Era a Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia.
Disse então aos judeus:
«Eis o vosso rei!».    
Mas eles gritaram:
«À morte, à morte! Crucifica-O!».
Disse-lhes Pilatos:
«Hei-de crucificar o vosso rei?».
Replicaram-lhe os príncipes dos sacerdotes:
«Não temos outro rei senão César».
Entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado.
E eles apoderaram-se de Jesus.
Levando a cruz,
Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário,
que em hebraico se diz Gólgota.
Ali O crucificaram, e com Ele mais dois:
um de cada lado e Jesus no meio.
Pilatos escreveu ainda um letreiro
e colocou-o no alto da cruz; nele estava escrito:
«Jesus, o Nazareno, Rei dos Judeus». 

Deus pôs na Cruz de Jesus todo o peso dos nossos pecados. Era uma Cruz pesada, como a noite das pessoas abandonadas, pesada como a morte das pessoas queridas, pesada porque resume toda a fealdade do mal. Na Cruz nós vemos a monstruosidade do homem, quando se deixa guiar pelo mal; mas vemos também a imensidão da misericórdia de Deus que não nos trata segundo os nossos pecados, mas em conformidade com a sua misericórdia. Caminhemos juntos pela senda da Cruz, caminhemos levando no coração esta Palavra de amor e de perdão. Caminhemos esperando a Ressurreição de Jesus, que tanto nos ama.

Estavam junto à cruz de Jesus
sua Mãe, a irmã de sua Mãe,
Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto,
Jesus disse a sua Mãe:
«Mulher, eis o teu filho».
Depois disse ao discípulo:
«Eis a tua Mãe».
E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.
Depois, sabendo que tudo estava consumado
e para que se cumprisse a Escritura,
Jesus disse: «Tenho sede».
Estava ali um vaso cheio de vinagre.
Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre
e levaram-Lha à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou:
«Tudo está consumado».
E, inclinando a cabeça, expirou.

Ó Cristo crucificado e vitorioso, a tua Via-Sacra é a síntese da tua vida; é o ícone da tua obediência à vontade do Pai; é a realização do teu infinito amor por nós pecadores; é a prova da tua missão; é o cumprimento definitivo da revelação e da história da salvação. O peso da tua cruz liberta-nos de todos os nossos fardos. 

 

Colóquio final

Jesus crucificado, reforça em nós a fé, que não ceda diante das tentações; reaviva em nós a esperança, que não se perca seguindo as seduções do mundo; conserva em nós a caridade que não se deixe enganar pela corrupção e pela mundanidade. Ensina-nos que a Cruz é caminho para a Ressurreição.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.