Sexta-Feira Santa da Paixão do Senhor

Hoje é dia trinta de março, Sexta-Feira Santa da Paixão do Senhor

Nenhum espaço ficou por percorrer. No teu caminho, viste o Senhor a mergulhar em tudo o que de humano existe: os leprosos que se faziam anunciar, a hemorroíssa que tocou na orla do manto do Mestre, a viúva que ofereceu as suas poucas moedas, o amigo que jazia morto há três dias...
E, chegada a sua hora, o Senhor ofereceu-Se a Si mesmo: fora dos muros da cidade santa, expulso do seu Povo. Ao mesmo tempo, o Senhor é erguido como a árvore que nos cura e nos recebe, o fim de toda a violência, a exposição, à luz da tarde, dos juízos que habitam a nossa mente e o nosso coração.
As meditações que vais escutar são da autoria do Cardeal norte-americano Seán O'Malley, arcebispo de Boston. Com o auxílio das suas palavras, deixa que no teu coração se abra um caminho pascal.

 

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São João. [Ev Jo 19, 14-18.25-27.28-30]

Pilatos disse aos judeus: «Eis o vosso Rei!»
Mas eles gritaram: «À morte, à morte! Crucifica-O!»
Disse-lhes Pilatos: «Hei de crucificar o vosso Rei?»
Replicaram-lhe os príncipes dos sacerdotes:
«Não temos outro rei senão César».
Entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado.
E eles apoderaram-se de Jesus.
Levando a cruz,
Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário, 
que em hebraico se diz Gólgota.
Ali o crucificaram, e com Ele mais dois:
um de cada lado e Jesus no meio.

«Jesus fez da Cruz a árvore da vida para nós. Ele conquistou o pecado e a morte e abriu-nos o caminho para a vida eterna. (...). Como discípulos de Jesus, precisamos de aprender a levar a cruz com humildade e amor. E devemos aprender a levá-la juntos».
[Cardeal Seán O'Malley, Homilia, Memorial do Genocídio Arménio, Abril 2016]

Ninguém gosta de pensar em carregar a cruz, menos ainda de carregá-la efetivamente. E, no entanto, ninguém escapa à cruz de cada dia. Como lidas com a tua?

 

Estavam junto à cruz de Jesus
sua Mãe, a irmã de sua Mãe,
Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Ao ver sua Mãe e o discípulo predileto,
Jesus disse a sua Mãe:
«Mulher, eis o teu filho».
Depois disse ao discípulo:
«Eis a tua Mãe».
E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

«Aos pés da cruz permanecem alguns discípulos corajosos. Estou certo que a fé e a coragem de Maria foi uma fonte de fortaleza para todos eles. Maria permaneceu aos pés da cruz. Nesse momento dramático, antes da sua morte, Jesus oferece-nos o que possui de mais precioso, a sua Mãe. "Eis a tua mãe". A partir de agora, Maria não é apenas a Mãe de Jesus, é também a nossa Mãe».
[Cardeal Seán O'Malley, Homilia, S. Giovanni Rotondo – Itália, 23/09/2006]

Maria é tua Mãe, Jesus fê-la tua mãe no Calvário. Pede-lhe que te ensine a permanecer junto da Cruz de Jesus que encontras na vida daqueles que te são próximos.

 

Sabendo que tudo estava consumado
e para que se cumprisse a Escritura,
Jesus disse: «Tenho sede».
Estava ali um vaso cheio de vinagre.
Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre
e levaram-Lha à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou:
«Tudo está consumado».
E, inclinando a cabeça, expirou.

«Os frutos do anúncio do Evangelho não se medem nem pelo sucesso nem pelo fracasso, segundo critérios humanos, mas pela conformidade com a lógica da Cruz de Jesus, que é a lógica de sair de si e gastar-se, a lógica do amor. A Cruz está sempre presente, com Cristo – e é ela que assegura os frutos da nossa missão. E é na Cruz, o ato supremo de misericórdia e amor, que nós renascemos como uma nova criação».
[Cardeal Seán O'Malley, 
Homilia na Abertura das Aulas no Seminário de Boston, 2017]

Contempla o Senhor Jesus morto na cruz. O seu fracasso é também a sua vitória, a vitória do amor. Estás disponível para fracassar amando, ao jeito de Jesus?

 

Termina a tua oração na presença de Jesus crucificado. Dá graças pelo amor que O levou a entregar-Se por ti. Faz-Lhe companhia, no silêncio e numa oração mais prolongada e intensa, nesta Sexta-Feira Santa da Paixão e morte do teu Senhor e Mestre.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.