Terça-feira da quinta semana da Quaresma

Hoje é dia vinte de março, terça-feira da quinta semana da Quaresma.

No coração da Páscoa reside um mistério familiar,
o Filho que se confia ao seu Pai,
e o Pai que nada mais entrega
senão a sua Vida, o seu Espírito.
E na carne de Cristo, no seu corpo aberto,
está toda a Humanidade, todos os filhos de Eva e Adão,
numa mesma reconciliação.
Não menosprezes o mistério que habita
em toda a oração: ela é verdadeiramente pascal
se nela nasce o Homem Novo.

 

Escuta esta passagem do Livro dos Números. [L1 Num 21, 4-9].

Os filhos de Israel partiram do monte Hor para o Mar Vermelho,
contornando a terra de Edom.
No caminho, o povo impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés:
«Porque nos fizeste sair do Egipto,
para morrermos neste deserto?
Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável».
Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas
que mordiam nas pessoas
e morreu muita gente de Israel.
O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo:
«Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti.
Intercede junto do Senhor,
para que afaste de nós as serpentes».
E Moisés intercedeu pelo povo.
Então o Senhor disse a Moisés:
«Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste.
Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado».
Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste.
Quando alguém era mordido por uma serpente,
olhava para a serpente de bronze e ficava curado. 

 

«O povo impacientou-se». Os tempos de prova são custosos. É fácil desistir de fazer caminho e encontrar sentido a partir das dificuldades. Mas o deserto é lugar de encontro, a partir do qual Deus pode conduzir à salvação.  

Quando alguém era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado. Nenhuma impaciência da tua parte pode impedir a fidelidade de Deus. A presença do Senhor na tua vida é constante e libertadora. 

Ao ouvires de novo a passagem do livro dos Números, repara no papel de Moisés como intercessor. Procura identificar situações em que possas fazer de ponte entre Deus e o mundo. 

Conclui este tempo de oração pedindo a graça da paciência e da fidelidade para os momentos de tribulação. 

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.