Terça-feira da segunda semana da Quaresma

Hoje é dia vinte e sete de fevereiro, terça-feira da segunda semana da Quaresma.

A saudade é uma expressão e uma experiência
tipicamente portuguesas.
Transmite proximidade e distância,
o espaço vazio e ausente de algo
que já encontraste, mas que não possuis.
Talvez a saudade seja uma metáfora da oração.
A ela regressas, dia após dia, 
em busca de um desejo que te acompanha:
agradece esse desejo, e começa a tua oração.

 

Escuta esta passagem do Livro do Profeta Isaías [L1 Is 1, 10.16-20].

Dai ouvidos à lei do nosso Deus, povo de Gomorra:
«Lavai-vos, purificai-vos,
afastai dos meus olhos a malícia das vossas ações,
deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem.
Respeitai o direito, protegei o oprimido,
fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.
Vinde então para discutirmos as nossas razões – diz o Senhor.
Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate,
ficarão brancos como a neve;
ainda que sejam vermelhos como a púrpura,
ficarão brancos como a lã.
Se fordes dóceis e obedientes,
comereis os bens da terra.
Mas se recusardes e fordes rebeldes,
sereis devorados pela espada».
Assim falou a boca do Senhor. 

 

Deus convoca o seu povo para uma reunião de balanço. Convoca-te também a ti, agora, neste tempo da Quaresma. O Senhor diz-te: "Vem a Mim, vamos conversar, discutir as nossas razões. Diz-me como tens procedido. Com verdade".

A justiça e o direito, palavras gastas, estão talvez apodrecidas, de tanto serem ditas e reditas. A oração leva-te a concretizar gestos, atitudes, comportamentos. 
Hoje, com quem vives e trabalhas, que deves fazer? 

Revê a tua vida à luz da palavra de Isaías. Preferes os mais pobres?  Não é fazer aceção de pessoas, mas privilegiar os indefesos, os oprimidos, os órfãos e viúvas que não têm voz diante dos poderosos.

Termina este tempo de oração dizendo ao Senhor o que sentes, com estas ou outras palavras: 
«Pai Santo, por teu Filho Jesus, ensina-me a ser dócil e obediente. Como Maria, nossa mãe, a ir visitar alguma Isabel da minha família que precise de companhia, algum velho Simeão, algum amigo Judas».

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.