Terça-feira da terceira semana da Quaresma

Hoje é dia seis de março, terça-feira da terceira semana da Quaresma.

Hoje, começa a tua oração
com estas palavras de Pedro Crisólogo, bispo do século quarto:
«Quem deseja ser atendido nas suas orações,
atenda às súplicas de quem lhe pede,
pois aquele que não fecha os seus ouvidos às súplicas alheias,
abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.
Dá a ti mesmo, dando aos pobres,
porque o que deixares de dar aos outros,
também tu o não possuirás».

 

Escuta esta passagem do Evangelho segundo São Mateus. [Ev Mt 18, 21-35].

Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:
«Se meu irmão me ofender,
quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?»
Jesus respondeu:
«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei
que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido,
com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo:
‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo
deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários.
Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo:
‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo:
‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender,
até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes
e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse:
‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos,
até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste,
se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração». 

 

O que negas aos outros, ou exiges que te paguem, constitui sempre um punhado de areia, em comparação com a quantia astronómica que Deus te perdoa. 
Pede perdão da tua falta de coerência e de verdade. 

Parece impossível, esta cena de ingratidão tão descarada. E, contudo, a parábola do Evangelho de hoje retrata o dia a dia das relações humanas. 
Perdoar é dar sem medida. Acreditar na boa fé do outro, sem condições.

Fazer da vida uma comédia religiosa torna-se, a curto prazo, a tragédia suprema. Por vezes, podes ser ator e realizador da desgraça própria e alheia. Não será isto a corrupção, o pecado que não tem perdão?

«Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?». 
Pede ao Senhor que grave no teu coração estas palavras, para que nunca rezes o Pai-Nosso na máscara odiosa da mentira. 

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.