A oração na minha vida diária – II

Para nos tornarmos homens e mulheres de oração, devemos seguir o conselho de Santo Inácio: “considero como Deus opera e trabalha por mim em todas as coisas criadas; isto é, como Deus atua como quem trabalha”. Por outro lado, diz Santo Agostinho: “Tarde Vos amei, beleza tão antiga e sempre nova, tarde vos amei! Existíeis dentro de mim e eu estava do lado de fora, e então te procurei do lado de fora; porém Vós estáveis comigo, mas eu não estava convosco”.

Ao reconhecer a presença de Deus dentro de mim, eu reconheço que Ele opera e trabalha para mim. Enquanto estou nas tarefas diárias, enquanto estou a dialogar com Deus ou enquanto dialogo com outras pessoas, a minha vida torna-se oração. Trata-se de reconhecer que estou com Aquele que é "mais íntimo que minha própria intimidade" (Santo Agostinho), é deixar que o seu Espírito me ensine e trabalhe em mim.

Para manter essa proximidade com Deus, devo exercitar-me para aprender a estar comigo mesmo, estando atento ao meu mundo interior. Quando o procuro do ‘lado de fora’ corro o risco de me tornar naquelas pessoas que entendem que estão longe de Deus; quando, na realidade, o que acontece é que elas não estão atentas ao Deus que as habita. Na verdade, estão longe de si mesmas e, portanto, de Deus.

Esta experiência de interioridade permite-nos ser contemplativos até no meio da ação. Neste sentido, o meu coração viverá em constante contemplação, acolhendo e processando todas as mensagens que me chegam de fora e despertando em mim atitudes, ações e palavras que constroem, no encontro com os outros, relações fecundas, laços permanentes que nos tornam mais humanos, fraternos e compassivos.

Carlos Canillas sj

(Coordenador Continental da Rede Mundial de Oração do Papa na América Latina e no Caribe)

Fotografia: Arthur Poulin (unsplash.com)