"Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho". Esta conhecida passagem da carta aos Hebreus (1, 1-2) expressa o ponto máximo da revelação de quem é Deus, o seu amor por nós, o que significa sermos filhos e filhas de Deus. Ao longo da história da salvação, Deus caminhou com o seu povo, sempre fiel à aliança feita, mesmo que o povo, muitas vezes, respondesse com infidelidade, se esquecesse da lei de Deus, que é o caminho para a vida feliz, fecunda, que permanece por todas as gerações.
Nesta crescente revelação, Deus Pai não quis deixar os seus filhos à mercê das suas impossibilidades, rendidos e abandonados às forças do poder e do egoísmo que causam destruição a si mesmos, aos outros e à beleza harmoniosa da Criação que Deus prometeu.
A resposta de Deus à infidelidade e ao pecado foi enviar o seu único Filho, para mostrar, nos seus gestos e palavras, como é viver como filhos, manifestar aquilo que é mais importante na vida, o que é o bem maior, onde se encontra a felicidade.
Ao chegar aos dias da Páscoa, na Última Ceia, Jesus vai dizendo por palavras aquilo que, poucas horas depois, encarnaria no seu gesto supremo de entrega: “Sereis felizes se lavardes os pés uns aos outros”; “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos”; “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”; “Não ficareis sós...”
Ao contemplar a cruz de Jesus, nesta Páscoa, vamos deixar que aquela nos repita, uma e outra vez, a verdade mais profunda que Jesus nos diz: Por ti, entrego a minha vida, para que não carregues o peso das tuas faltas, para que não fiques fechado no egoísmo, no desânimo, mas te sintas livre para a vida, radiante nos horizontes que a minha ressurreição traz ao teu coração e a tudo o que acontece à tua volta.
Que esta Páscoa nos ressuscite verdadeiramente e nos faça viver como filhos e filhas amados e capazes de amar, como Jesus ensinou.
São estes os votos da equipa da Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal, unindo-nos, de modo particular, a todos os que passam estes dias mais doentes, sozinhos ou desanimados com a situação difícil que atravessamos.
Santa Páscoa!
(Diretor da Rede Mundial de Oração do Papa-Portugal)
