IGREJA QUE CANTA E REZA

A Igreja recebe o livro da oração, ao mesmo tempo que o escreve; folheia-o ao fio do tempo e das festas; ela deixa subir até Deus as palpitações do seu coração. A oração de todos os tempos é um presente confiado aos corações que buscam Deus; ela torna-se um serviço que a Igreja, em todos os membros, cumpre com alegria: o serviço da intercessão, do louvor e da comunhão.

Quer esteja sozinho, quer reunido com outros irmãos, no segredo de um quarto ou na solene beleza de um edifício sagrado, o fiel que faz sua a oração do tempo presente maravilha-se, antes de mais, por se saber sempre precedido, acompanhado pela Igreja, cuja genuflexão e cujo canto têm a permanência mesma do Deus que é, que era e que será.

As palavras da oração assumem, primeiramente, a forma de hino, depois desfiam-se ao longo dos Salmos, que são um canto de profunda humanidade, canto de Israel e voz de Cristo, canto da Igreja e entusiasmo da Esposa que aspira às núpcias eternas. A Salmodia é um arco de música, estendido entre a terra e o Céu, no qual Deus Se oferece ao homem e em que o homem se apresenta a Deus.

Depois, a oração faz-se escuta, quando Deus visita os corações pela sua Palavra; a resposta será um apelo confiante, para apresentar o mundo e a sua espera, para desejar a paz de Deus e invocar o seu nome de Pai.

Quando desperta a aurora… Laudes – Louvor da manhã

Canto da Criação, maravilhando-se na frescura de uma nova aurora; alegria da luz que desperta o olhar do homem e ilumina o seu coração. Os lábios abrem-se para deixar o Espírito inspirar o hino de confiança. A fé expulsa as sombras e os sonhos da noite. A Salmodia escoa-se como uma água vivificante; convida a dar graças com todas as criaturas amadas por Deus.

Depois dos Salmos, o cântico é tirado do Antigo Testamento, homenagem prestada ao Deus «da Aliança selada com os nossos pais». A oração da Igreja une-se à voz de Israel e de todos os fiéis, esperando e apressando a salvação do Deus da vida.

A oração em forma de litania é ainda uma imersão no louvor, um convite à confiança, para que a bênção de Deus visite este dia que começa e se difunda sobre cada homem.

Assim, a primeira hora da manhã não acaba sem que se tenha realizado esta Visitação do louvor, tão necessário ao nosso mundo e tão precioso ao coração de Deus. O louvor oferece ao homem os seus tesouros de gratuidade, para o voltar, cada vez mais livremente, para o amor gratuito de Deus.

P. Jean-Marie Dezon, in b. a. - ba da oração, Editorial AO 2016

Fotografia: Pablo Heimplatz (unsplash.com)