A voz de Deus é um gesto preciso, que docilmente vai modelando a nossa calma. Através de Isaías, o Senhor amorosamente diz: “Que Me importam os vossos inúmeros sacrifícios?” (Is 1, 11). O Senhor Deus só quer a nossa companhia. Vamos indo, acompanhados por Ele, numa amena cavaqueira, entre confissões, ações de graças, louvores e exaltações; vamos nascendo para a vida de Deus, a partir da sua voz.
No final de 2019, o Cardeal Tolentino de Mendonça elegeu “conversão” como palavra do ano. Dizia-nos: «Não há “conversão” sem essa ousadia de olhar para o estado das coisas e reorientar o caminho, aceitando que a única verdadeira forma de transformar é transformar-se».
Sendo nós homens e mulheres hesitantes na passada, a mãe Igreja dá-nos a mão e recomenda oração, jejum e esmola. É, antes de mais, uma orientação para vivermos em verdade connosco e com o mundo, de modo a “quebrar as cadeias injustas, desatar os laços da servidão, pôr em liberdade os oprimidos e destruir todos os jugos.” (Is 58, 6). É, antes de mais, uma orientação para escutar a Palavra que nos transforma.
Encetamos o nosso caminho para a Cruz, com a Ressurreição à vista. Que disponhamos o coração a redescobrir a grandeza do amor de Deus e não mais queiramos estar separados d’Ele. Que jejuemos as nossas vontades e socorramos aquele que mais ninguém quis, para que o tempo de graças que hoje começa seja um caminho de aproximação a Cristo.
Beatriz Lisboa (Colaboradora da Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal)
Texto publicado no blog do Click To Pray
