Para começar

Vamos rezar! Sentimos esse desejo, temos vontade de o realizar e queremos começar já, mas temos a impressão de não saber como e onde o fazer. Durante quanto tempo? O que é que precisamos de levar? Estas e muitas outras questões assaltam-nos.

É verdade que, para rezar, o mais importante é colocarmo-nos, como somos, diante de Deus, numa atitude de escuta. É igualmente verdade que se pode rezar em qualquer lugar e momento, mas também é certo que até encontrar essa facilidade há caminho a fazer.

Vamos abordar alguns aspetos  que ajudam a responder às questões que nos vêm, quando pensamos em rezar.

 

Onde?

Habitualmente, associamos o rezar à igreja. É ali que vamos quando rezamos, seja no Domingo ou nos diferentes dias da semana. Mas, muitas vezes, quando sentimos vontade ou disponibilidade para rezar, não temos por perto uma igreja e sentimos alguma dificuldade em encontrar na nossa casa condições para rezar. Sentimos muita agitação, tudo nos prende a atenção e temos dificuldade em nos colocarmos numa verdadeira atitude de escuta. Também é verdade que é ali que estamos habitualmente mais tempo e onde temos momentos mais descansados. Apesar de todas as contraindicações  é onde, provavelmente, teremos mais facilidade em arranjar um espaço para rezar.

Pode ser o quarto ou outra divisão da casa. É de toda a conveniência que seja um lugar onde não passe muita gente e em que possamos estar a sós com o Senhor. Recolhidos e à vontade para sermos quem somos, verdadeiramente, diante d'Ele.

 

Quando?

Como dizemos acima, podemos rezar em qualquer ocasião. Mas é aconselhável olhar para o ritmo normal da nossa vida, ver como distribuímos ao longo do dia as nossas atividades e, então, escolher aquele tempo que nos pareça mais livre para podermos estar retirados, sozinhos.

Parece-nos que o ideal seria ao começar o dia. Habitualmente, nesse momento, ainda não fomos tomados pelo acelerado movimento do nosso dia, pela azáfama das tarefas que nos solicitam. Também poderá ser no final do dia, já depois de todas as tarefas realizadas.

Também aqui poderão existir dificuldades como, por exemplo, o sono da manhã ou o cansaço do final dia. Quer num momento quer no outro será necessária força de vontade, disciplina. Se quisermos mesmo, conseguiremos encontrar o momento.

 

Quanto tempo?

Com frequência, achamos que temos que rezar muito, isto é, muitas horas. Temos no nosso imaginário aquelas pessoas que vivem em mosteiros ou conventos e repartem a sua vida entre tempos de oração. Comparamo-nos com elas e achamos que temos que fazer o mesmo, esquecendo-nos que o Senhor não nos chamou àquela vida, mas a outra diferente, também cristã.

Deve haver razoabilidade e humildade. Será em diálogo com a nossa vida real que melhor acertaremos no tempo a dar à oração. Um tempo que não afete  as principais missões da vida a que fomos chamados pelo Senhor. Humildemente, pensar e aceitar que, se estamos a começar, talvez seja prudente principiar por 10 minutos diários, ainda que sinta o desejo e forças para rezar muitas horas.

 

Que posição?

Pode-se rezar em muitas posições: sentado, deitado, de joelhos, em pé. Talvez para começar seja mais fácil sentarmo-nos. Convém arranjar uma cadeira que nos permita manter, ao longo do tempo da oração, uma posição cómoda, estando bem apoiados, e em que, nesse período, o nosso corpo possa estar repousado.

Caso se escolha uma almofada ou um tapete para nos sentarmos, talvez seja conveniente fazê-lo próximo de uma parede onde nos possamos apoiar, para também assim estarmos cómoda e relaxadamente sentados.

 

A Bíblia

Rezar é, antes de mais, escutar o Senhor. A Sagrada Escritura é um auxiliar precioso para o fazer, pois nela podemos ir vendo como o Senhor Se foi revelando, ao longo dos tempos e de diversos modos, ao seu Povo. Ali nos podemos rever e perceber como Ele, pela sua Palavra, continua hoje a vir até nós, a acompanhar-nos e a interpelar-nos de diversas formas, quando rezamos.

 

Um caderno

Junto com a Bíblia é bom ter um caderno onde anotar diversas coisas: indicações, pistas tiradas da Bíblia que nos ajudem a pormo-nos à escuta do Senhor e a falar com Ele. Os sentimentos e os diferentes estados de espírito que vamos experimentando, dentro de nós, enquanto rezamos. As luzes e as sombras, os momentos de consolação e desolação que vamos percebendo nos nossos encontros com o Senhor. Um caderno onde mais tarde possamos voltar para refletir  e tirar proveito para a nossa vida, à luz daquilo que o Senhor nos foi e vai dizendo.

Sérgio Diz Nunes, sj 

Fotografia: Niloufar Nemati (unsplash.com)