A graça de Deus é o maior acontecimento da nossa vida, porque é capaz de fazer de cada momento, bom ou menos bom, uma experiência de sentido. A graça de Deus não é algo estático, é um entusiasmo cheio de vitalidade que torna fecunda a vida. A graça de Deus não vem apenas preencher os nossos vazios pessoais, o que sentimos serem as nossas falhas, sofrimentos, desolações, mas vai além disso, é capaz de fazer das feridas e dos vazios espaço de cura e acolhimento das feridas e vazios dos outros.
Tudo e tanto nos é dado na graça de Deus. E, contudo, nada acontece em nós sem que para isso estejamos dispostos. Deus não nos obriga à graça, mas convida-nos, chama-nos, propõe-nos. E de tantas formas! Muitas delas tão discretas e escondidas que não chegamos a aperceber-nos.
A maior graça do Pai aos seus filhos foi ter-nos dado o seu Filho e n’Ele manifestar a plenitude do seu amor. Como não podia deixar de ser, tal graça não foi imposta, mas foi um convite feito ao coração de uma jovem mulher, numa humilde casa, de uma cidade pequena, de um país ocupado por uma potência estrangeira. Nada de forte, nada de extraordinário. Pelo contrário, tudo pequeno, tudo humilde. É aos pequeninos que são revelados os mistérios do Reino e assim foi com Maria.
Maria, com o seu Sim, assumiu o Sim da história e de cada homem e mulher que deseja que o Filho de Deus caminhe a seu lado, para melhor o conhecer, para o seguir e chegar a amar da única forma que vale a pena, amar ao estilo de Jesus, para quem a vida do outro vale a sua vida, seja quem for, e mais ainda se for pecador, marginalizado, pobre. E encher estas vidas pequenas com os enormes horizontes da maravilha e da gratidão, porque fomos olhados com misericórdia, tomados pela mão, levantados!
O Natal continua a ser este convite a deixar-nos visitar e inundar pela graça que nos é dada no presente histórico que vivemos. Em tempo de pandemia, longe de pessoas queridas, de abraços desejados, de comunidades cheias... mas não será este o Natal pobre que poderemos estar a precisar? Em que a delicadeza e o cuidado com os que estão perto e estão longe sejam a nossa maior prenda? Porque os presentes passam de moda, acabam por ficar nas estantes e nas gavetas... os cuidados delicados enchem a vida de beleza, tornam as pessoas bonitas, permanecem.
Que este Natal seja vivido neste desejo de embelezar o mundo com a graça de Deus-Menino. São os votos da equipa da Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal para si e para todos os seus familiares e amigos, invocando as maiores bênçãos para o novo ano, marcado pela delicadeza e pelo cuidado.
Um Santo Natal e Feliz Ano Novo!
(Diretor da Rede Mundial de Oração do Papa - Portugal)
