Hoje é dia vinte e nove de março, Quinta-feira da Ceia do Senhor.
A mesa está preparada. O banquete está pronto. Vezes e vezes sem conta, escutaste dos lábios do Senhor o convite a entrar no Reino, anunciado como um banquete onde todos têm o seu lugar. Um banquete onde o convite universal dança a par e passo com a intimidade, a confiança, o alimento.
Na véspera da sua morte, o Senhor confia aos seus discípulos a sua vida, a sua palavra e o seu espírito, através dos sinais do pão e do vinho, do gesto de lavar os pés, dos hinos da páscoa hebraica.
Hoje, na celebração da Ceia do Senhor, tem início o Tríduo Pascal: três dias nos quais, chegados ao cume do ano litúrgico, podemos mergulhar no mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
As meditações que vais escutar são da autoria do Cardeal norte-americano Seán O'Malley, arcebispo de Boston. Com o auxílio das suas palavras, deixa que no teu coração se abra um caminho pascal.
Escuta esta passagem do Evangelho segundo São João. [Ev Jo 13, 1-15]
«Antes da festa da Páscoa,
sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai,
Ele, que amara os seus que estavam no mundo,
amou-os até ao fim».
«Jesus reuniu-Se com os seus apóstolos para Se despedir. (...). E percebemos que esta refeição pascal não é só um olhar para trás, para a libertação do Egito, mas também um olhar para diante, para a libertação de ser um na cruz. E nessa Última Ceia, nessa atmosfera de apreensão, Jesus tem de lidar com o ódio dos seus inimigos, que O procuram para O prender. Mas tem que lidar também com os pecados dos seus seguidores».
[Cardeal Seán O'Malley, Missa da Ceia do Senhor, 2017]
Estás disponível para acolher o amor de Jesus e deixá-Lo cuidar de ti e dos teus pecados?
«Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade,
sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava,
levantou-Se da mesa,
tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura.
Depois, deitou água numa bacia
e começou a lavar os pés aos discípulos
e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura.
Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe:
«Senhor, Tu vais lavar-me os pés?».
Jesus respondeu:
«O que estou a fazer, não o podes entender agora,
mas compreendê-lo-ás mais tarde».
Pedro insistiu:
«Nunca consentirei que me laves os pés».
Jesus respondeu-lhe:
«Se não tos lavar, não terás parte comigo».
Simão Pedro replicou:
«Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça».
Jesus respondeu-lhe:
«Aquele que já tomou banho está limpo
e não precisa de lavar senão os pés.
Vós estais limpos, mas não todos».
Jesus bem sabia quem O havia de entregar.
Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos».
«Jesus reúne os seus seguidores para lhes ensinar, para lhes mostrar que o amor é o coração do seu Evangelho. Mostra-se a Si mesmo como o Servo, o Servo Sofredor, anunciado pelo profeta Isaías. Ele lava os pés dos seus discípulos para nos mostrar quem Ele é e quem nós somos. Ele é o Senhor e Mestre e, apesar disso, torna-se um escravo, um servo, e lava os nossos pés. Nós não estamos limpos, por isso, Ele lava-nos. Ele está ansioso por nos dar uma nova oportunidade. Ele quer que saibamos que nos ama, apesar de todas as nossas faltas. Ele nunca desiste de nós».
[Cardeal Seán O'Malley, Missa da Ceia do Senhor, 2017]
Como lidas com a tentação de desistir, dos outros e de ti? Procura não esquecer que o Senhor nunca desiste de ti.
«Depois de lhes lavar os pés,
Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa.
Então disse-lhes:
«Compreendeis o que vos fiz?
Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou.
Se Eu, que sou Mestre e Senhor,
vos lavei os pés,
também vós deveis lavar os pés uns aos outros.
Dei-vos o exemplo,
para que, assim como Eu fiz, vós façais também».
«Com este gesto dramático de nos lavar os pés, Jesus dá-nos um exemplo a seguir, um paradigma de como os discípulos se devem amar uns aos outros. Não apenas em abstrato ou em teoria, mas amar as pessoas com todos os seus limites, defeitos e dons. Jesus escolhe este momento para nos dar o mandamento novo. Ele diz, nesta refeição de despedida: "amai-vos uns aos outros. Vós, meus discípulos, eu quero que vos ameis uns aos outros tal como eu vos amo". A partir de agora, o amor de Jesus por nós é a medida do modo como nós nos devemos amar uns aos outros».
[Cardeal Seán O'Malley, Missa da Ceia do Senhor, 2017]
Considera a medida do amor a que o Senhor te chama: um amor que vai até à morte na cruz.
Durante alguns momentos, fala com o Senhor sobre os pecados que mais te afligem e que tens menos vontade de Lhe confiar. Pede-Lhe a graça de te libertares para que Ele te possa lavar os pés e tu possas partilhar a vida que Ele te oferece.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
